quinta-feira, 9 de julho de 2015

Ideias para combater tráfico de animais podem render prêmios de até US$ 500 mil

DESAFIO PELA BIODIVERSIDADE
Tem uma ideia inovadora para combater o comércio ilegal de animais silvestres? É sua chance de colocá-la em prática e, de quebra, receber patrocínio de até US$ 500 mil, assessoramento técnico e apoio para desenvolver uma rede de relacionamentos para aprimorar os projetos.

Para concorrer, basta inscrever sua solução científica e tecnológica para o problema no concurso Wildlife Crime Tech Challenge, da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid). Organizações e indivíduos podem se inscrever, até 30/06, por meio do site da iniciativa.

As propostas devem contemplar, ao menos, um dos quatro temas abaixo:
- identificação de corrupção na cadeia de tráfico de animais;
- rastreamento de rotas de tráfico de animais silvestres;
- redução da demanda por animais silvestres, e
- reforço de provas forenses para embasar processos judiciais.

Todas as sinopses, que devem ser escritas em inglês, serão avaliadas por um comitê julgador, que selecionará as mais promissoras para a segunda etapa da competição. No total, três etapas eliminatórias definirão os finalistas, que receberão patrocínio que pode variar de US$ 100 mil a US$ 500 mil.

O concurso tem como objetivo identificar e incentivar novas perspectivas para deter o tráfico de animais silvestres, terceira atividade ilícita mais lucrativa do planeta, que movimenta de US$ 10 a 20 bilhões anuais, perdendo apenas para o tráfico de drogas e de armas. 

O desafio é realizado em parceria com a revista National Geographic, o Instituto Smithsonian e a rede de monitorização do comércio de animais silvestres TRAFFIC.
http://planetasustentavel.abril.com.br/index.shtml

Ninguém é dono da língua portuguesa

Está em discussão, na Academia de Ciências de Lisboa, o projeto de reedição do seu Dicionário, cuja primeira edição data de 2001.  Foi organizado pelo competente filólogo Malaca Casteleiro, um grande amigo do nosso saudoso imortal Antônio Houaiss, a quem se deve o esforço maior pela sonhada unificação ortográfica da língua portuguesa. Segundo o presidente da ACL, escritor Artur Anselmo, que nos  recebeu com muita fidalguia, o dicionário deverá estar pronto, com 100 mil verbetes, na primavera de 2016.  Entre suas inovações, como informou a professora Ana Salgado, figuram  as palavras selfie e sustentabilidade, além de cerca de 800 termos do lexical galego. A sua plataforma digital pertence à Universidade do Minho, que se tornou parceira da ACL, nesse importante projeto. Anotamos duas premissas essenciais, na visita à Academia de Lisboa. A primeira delas refere-se à convicção de que ninguém é dono da língua portuguesa. Portugal e suas antigas colônias têm hoje cerca de 30 milhões de usuários da língua portuguesa, enquanto o Brasil passou dos 200 milhões. Essa desproporção não confere a nenhuma nação uma incômoda hegemonia. A segunda observação é mais delicada. Há uma tendência, na elaboração da 2ª edição, de privilegiar, na escolha dos verbetes, uma visão euro-africana. Isso quer dizer que a nossa contribuição ficaria adstrita a “brasileirismos”, que é um  conceito naturalmente muito limitado e excludente. Tendo recebido a chance de me manifestar, mostrei a dificuldade de estabelecer essa linha de  conduta.  Dei como exemplo a palavra pau-Brasil, criada pelos primeiros colonizadores que chegaram ao Brasil, todos portugueses, para identificar na nossa língua o que os índios tupis chamavam de ibirapitanga (madeira vermelha). Hoje, pode-se afirmar que a palavra composta pertence à língua portuguesa ou é um simples brasileirismo? Praticamos em nosso país – e com imenso prazer – a língua portuguesa.  Houve tentativa de escritores ilustres, como Lima Barreto e Afrânio Coutinho, de criar a língua brasileira. Não vingou. Ficamos com a língua portuguesa, inculta e bela, na  plenitude do seu emprego, que não despreza a forma como se fala nas oito nações da comunidade lusófona. Provocado pelo acadêmico António Valdemar, confessei o desejo de trabalhar pela perfeita comunhão dos nossos povos, com o respeito  às características da língua portuguesa, seja ela falada desta ou daquela maneira. A fonética não nos deve separar. Assim trabalhamos na elaboração do Vocabulário Ortográfico da ABL, desde a década de 80, com os seus 360 mil verbetes e que hoje já se encontra na 5ª edição. O mesmo pode ser dito em relação ao nosso Dicionário, inclusive o míni, sob os cuidados do dedicado filólogo e  acadêmico Evanildo Bechara. Os nossos irmãos portugueses podem estar certos de que, da parte do Brasil, jamais faltará colaboração e carinho, no objetivo maior de servir à língua de Camões e Machado de Assis. 
ArnaldoNiskier.